No dia 07 de setembro de 1972, a Primeira Ministra Indira Gandhi concedeu autorização para que os cientistas do Bhabha Atomic Research Centre (BARC) construísse um artefato nuclear, que o centro de pesquisas já havia projetado, e para prepará-lo para o teste de detonação. Para justificar o desenvolvimento, o artefato foi formalmente chamado de Explosivo Nuclear [de finalidade] Pacífica – PNE.
O artefato completamente montado tinha secção de formato hexagonal. Seu diâmetro era de 1,25 metro e pesava 1400 kg. Foi detonado às 08:05 horas, a 107metros de altura, no Sítio de Testes Militares de Pokhran, localizado no Deserto de Thar, no estado do Rajastão. Oficialmente a explosão teve potência equivalente a 20 kiloton, mas 8 kiloton são um valor mais adequado.
Face ao sucesso do teste, em 1975, Homi Sethna (Presidente da Comissão de Energia Atômica), Raja Ramanna e Nag Chaudhuri (Chefes do DRDO) receberam a Padma Vibhushan , a segunda maior condecoração indiana reservada a civis. Cinco outros membros do projeto receberam a quarta maior condecoração indiana reservada a civis, a Padma Shri.
O teste nuclear indiano causou grande perplexidade no Canadá. O governo canadense suspendeu todo envio de materiais nucleares e de tecnologia para a Índia. A Índia não realizou mais nenhum teste nuclear até a Operação Shakti de 1998.
Operação Shakti – 1998
A operação Shakty consistiu no teste de detonação de cinco artefatos nucleares, três deles no dia 11 de maio de 1998 e dois no dia 13 de maio de 1998, realizados no Sítio de Testes Militares de Pokhran.
Estes testes nucleares resultaram numa variedade de sanções contra a Índia, por um parte dos principais países mundiais. Quase um quarto de século após seu primeiro teste nuclear, a Índia realizou Shakti. De origem sânscrita, Shakti significa literalmente “Força”, além de ser o nome da deusa hindu da força. Foi o codinome para os testes Pokharan-II..
No dia 11 de maio de 1998, foram realizadas três detonações simultâneas:
Um artefato nuclear de 15 kiloton (bomba de fissão);
Um artefato termonuclear de 45 kiloton (bomba de hidrogênio);
Um artefato nuclear de 0,2 kiloton.
As detonações do dias 13 de maio de 1998 foram todas com potência inferior a 1 kiloton:
Um artefato nuclear de 0,5 kiloton;
Um artefato nuclear de 0,3 kiloton.
Porém a decisão de detonar artefatos nucleares trouxe à Índia algumas severas sansões econômicas e tecnológicas. Estas porém acabaram apenas tendo efeitos ‘superficiais’ na economia e na tecnologia indiana. A maioria das sanções foi retirada após um período de cinco anos.
Após Pokharan-II, o Primeiro Ministro da Índia declarou a Índia como “Potência Nuclear”. Esta declaração oficial pôs fim a anos de ambigüidade sobre a infra-estrutura e potencialidade nuclear da nação. O primeiro ministro também declarou a intenção da Índia em ampliar seu arsenal nuclear, mas ao mesmo tempo declarou que a nação adotara a política de “No First Use – NFU”. A NFU determina que uma nação detentora de armas nucleares se compromete a não utilizá-las na eventualidade de um conflito se não for primeiramente atacada com armas nucleares, caso contrário fará uso somente de armas convencionais. (Repúblicas da Ex-URSS, Rússia, Índia e China aderiram à NFU, mas EUA, GB, Israel, França, Paquistão e Coréia do Norte não!)
Isso estava em conformidade com o desejo soberano da Índia em manter o status de nação independente junto as nações mundiais.
Brajesh Mishra, do Secretariado do Primeiro Ministro e Conselheiro Da Segurança Nacional, expressou isso com essas palavras:
” Eu sempre senti que no mundo de hoje você não é levado em consideração se não tiver algo nuclear.”
Estimativas do NRDC (Natural Resources Defense Council ) apontam que a Índia possui um arsenal estimado entre 60 e 90 ogivas nucleares. (Estimativa do ano de 2002).
Fontes
FAS.org
Global Security.org
Nuclear Weapons Archive.org
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