Japão

Normalmente quando nos referimos a projetos atômicos na WWII, lembramos somente do ‘frutífero” projeto Manhattan e do projeto alemão.

 

Entretanto o Japão também desenvolvia seu(s) projeto(s) para a construção de uma bomba atômica. Mas a exemplo do que ocorria com sua aliada Alemanha, não havia muita colaboração entre a Marinha e o Exército, assim sendo cada força iniciou seu próprio projeto nuclear…e não colaboravam nem com a troca de informações.

 

Dr. Yosuio NishimaEm 1936, o Dr. Yoshio Nishima, renomado cientista internacional, amigo pessoal de Niels Bohr e de Albert Einstein, construiu no Rikagaku Kenkyūsho (理化学研究所), também conhecido como RIKEN (Instituto de Pesquisas Físicas e Químicas), em Tóquio, um Cyclotron, para ser empregado em pesquisas energéticas. No ano seguinte construiu outro Cyclotron de mesmas dimensões e em 1938, o RIKEN adquiriu um terceiro Cyclotron, junto à Universidade da Califórnia (Berkeley). Este Cyclotron era duas vezes maior que os cosntruídos pelo Dr. Nishima.

 

No ano de 1941, o exército deu inicio a um projeto, sob a coordenação do Dr. Yoshio Nishima, para a construção de um artefato nuclear. Seus recursos eram infinitas vezes inferiores à sua contra-parte americana, mas mesmo assim, os cientistas japoneses conseguiram elaborar algumas “Respostas Semelhantes”, como por exemplo, a obtenção de U-235, com o uso de U-238 em forma gasosa.


Os urânios em forma gasosa e extremamente corrosivos, assim sendo também tiveram que achar uma solução para oeste problema. Diferente da solução encontrada no Projeto Manhattan, os cientistas japoneses optaram pela criação de um ‘destilador’, totalmente feito em vidro.

 

A marinha imperial, por sua vez, iniciou secretamente seu projeto ao norte da Coréia, cerca de 6 meses antes.


Um dos planos (do Exercito) era criar um artefato nuclear para atacar a costa americana. O ataque seria feito em dois estágios:

 

A)     Num primeiro momento, seriam usados os submarinos porta-aviões da classe I-400 “Sen Toku”sen-toku. Esses submarinos tinham a capacidade de transportar até três hidroaviões Aichi Seiran, que decolavam a partir de uma catapulta instalada no convés do submarino. O pouso era feito no mar, posteriormente os aviões eram levados para dentro do submarino”.

 

B)     Os aviões decolariam do ponto mais próximo que os submarinos conseguissem atingir da costa oeste americana, voariam a baixa altitude para evitar serem descobertos pelo radar, próximo ao algo ganhariam altitude, lançariam a bomba e depois bateriam em retirada.

Quando, porém tornou-se evidente que devido à falta de recursos técnicos e humanos, não seria possível criar um artefato ‘verdadeiramente nuclear’, optou-se por uma segunda alternativa: A criação de “bombas sujas”. A bomba suja consistia basicamente de uma bomba convencional de HE (Alto Explosivo) misturado a um material radioativo, no caso do Japão, pretendiam usar óxido de urânio e urânio enriquecido. A intenção era espalhar material contaminante na atmosfera, que poderia manter seu efeito por dias e até mesmo semanas.
 
 
 

 

 

A intenção do ataque com esse tipo de bomba era tentar forçar um armistício com os EUA, em termos ‘vantajosos’, que em 1945 significaria mais ou menos, manter o Imperador no poder e pelo menos parte das áreas conquistadas.

 

O modo como seriam realizados os ataques com as bombas sujas é o mesmo planejado para a bomba atômica, porém utilizariam mais do que um submarino. Pelo menos dois deles ou até três realizariam a missão. (Fora planejado um ataque ao Canal do Panamá, que seria realizado pelo submarino I-401, mas acabou sendo suspenso em virtude do ataque programado aos EUA, com as bombas sujas, o I-401 faria parte deste ataque).

 

Mas um grande problema acercava todo o projeto: A escassez de urânio no Japão. Para tentar suprir esta deficiência, os responsáveis japoneses pelo projeto, encomendaram à Alemanha, cerca de  560 kg de óxido de urânio. No dia 16 de abril de 1945, o submarino alemão U-234, parte da Noruega, com destino ao Japão. Além do óxido de urânio, o submarino também transportava um avião-à-jato Messerschimitt Me 262, totalmente desmontado, projetos alemães, diversos cientistas alemães e dois oficiais japoneses.

 

Após o suicídio de Hitler, assumiu como chanceler da Alemanha, o comandante da Kriegmarine, almirante Karl Dönitz. Entre outras ações, Dönitz ordenou no dia 04 de maio, que todas as embarcações alemãs em missão de combate retornassem às suas bases e se rendessem, pois a Alemanha havia se rendido.


Entretanto o Capitão Johann-Heinrich Fehler, do U-234 desconsiderou as ordens, assumindo que sua missão não era de ataque e prosseguiu com sua viagem. Posteriormente recebera ordem para render-se imediatamente. Mas como tinha também os japoneses a bordo, ficou num impasse. Como se encontravam próximos ao Canadá, decidiram entrar em contato e render-se a estes, mas os americanos, interceptando uma transmissão de rádio canadense, saíram ao encalço do U-234. A rendição oficial do U-234 foi no dia 16 de maio de 1945, em Portsmouth, New Hampshire.

Os americanos noticiaram a rendição deste submarino alemão, mas os japoneses acreditavam se tratar de uma ação diversionista americana e não acreditaram, para os japoneses, o submarino alemão continuava a caminho e trazia consigo o tão esperado e necessário óxido de urânio. Tamanha era a confiança japonesa na chegada do material, que já haviam estabelecido até a data do bombardeio à costa oeste americana, 17 de agosto (1945).  Porém à medida que o tempo passava e o submarino não chegava, acabaram por tomar consciência que ele havia de fato sido capturado como informaram os americanos.
 
 
 

 

No dia 06 de agosto de 1945, o Japão tem uma terrível surpresa, os EUA lançam uma bomba nuclear sobre a cidade de Hiroshima. No Japão faz-se o possível para acobertar o fato, os militares, doutrinados por um severo código de conduta e honra militar, fazem o possível para que a população não fique sabendo e exija a rendição. A censura e o acobertamento porém tem um amargo e caro preço. No dia 09 de agosto, os EUA lançam uma segunda bomba sobre o Japão, desta vez o alvo é Nagasaki. Alguns grupos mais radicais ainda tentam convencer o imperador que o Japão deve lutar até o último homem, mas o imperador decide que já não há mais nada a ser feito. Decide anunciar então a rendição japonesa.
 
 
 

 

 

Mas nem tudo era tão simples assim, muito documentos e arquivos deveriam ser destruídos antes que os vencedores pudessem ter acesso a eles. Os cientistas que trabalharam no projeto atômico do exército, receberam ordens para destruir todos os documentos a respeito de seu trabalho, porém um deles, conseguiu furtar uma série de documentos e para não correr riscos, os manteve consigo. Dos cientistas que trabalharam no projeto do exército, diversos decidiram pela execução do ‘harakiri’, o suicídio, que é cometido em ocasiões extremas, para preservar a honra. Mas nem todos seguiram este caminho e, vários dos sobreviventes, seguindo o exemplo de seus ex-aliados alemães, migraram para os EUA, inclusive aquele que furtara os documentos.
A migração ocorreu em 1949. Pouco tempo depois, já nos EUA, decidiu mostrar os papéis a seus colegas físicos, comprovando que de fato o Japão também estava na corrida para a criação de uma bomba nuclear. Em 1952 os documentos foram divulgados, causando repercussão e até mesmo constrangimento no Japão, pois até a data, o Japão negava que tivesse feito alguma pesquisa nesse sentido.
 
 
 

 

 

O assunto ficou praticamente esquecido até 1972, quando então alguns documentos secretos americanos foram “desclassificados”. Surgiam então dados que comprovavam que os EUA tinham conhecimento do programa atômico japonês (Fato que até então não era confirmado também nos EUA).


Os documentos davam conta das medidas adotadas ainda em 1945, quando fora ordenado desmantelar todo equipamento japonês existente para processamento de materiais radioativos (boa parte do equipamento foi jogado ao mar, na Baía de Tóquio), destruir todos documentos restantes e a demolição dos prédios onde foram funcionava algo ligado ao projeto.

 

 

Porém a outra parte do projeto japonês permanece ainda obscura e quase certamente assim permanecerá…O projeto da marinha.

Relatórios davam conta de uma imensa unidade fabril na Coréia, com minas, grandes fábricas (uma denominada NZ, que despertou bastante interesse soviético) e uma usina hidrelétrica.
 
 
 

 


Segundo acredita-se, na unidade NZ, seria produzida uma bomba nuclear.

Um oficial da inteligência americana, chamado David Snell, teria interrogado um oficial japonês logo após a rendição em 1945 e este então o teria conduzido até uma área isolada na Coréia ea contado a ele uma fantástica história, de que no dia 12 de agosto de 1945, a marinha teria testado com sucesso, um artefato nuclear.
 
 
 

 

 

O artefato teria sido instalado a bordo de um navio, ancorado a 12 milhas da costa coreana. Nas imediações do barco, foram ancorados diversos barcos menores, pesqueiros, rebocadores…

 

A Explosão da bomba teria atingido cerca de dois quilômetros de diâmetro, sendo um sucesso total, houve comemoração e euforia numa pequena casamata, utilizada por observadores da matinha.

 

 

Dr. Hideki Yukawa, geologista que trabalhou no projeto nuclear da Marinha Imperial, um dos cientistas que migraram para os EUA no pós-guerra

Dr. Hideki Yukawa, geologista que trabalhou no projeto nuclear da Marinha Imperial, um dos cientistas que migraram para os EUA no pós-guerra

No entanto, no dia 14 de agosto de 1945, é anunciada a rendição incondicional do Japão. A possibilidade de construir um novo artefato, para ser usado contra os EUA desaparece. Nenhum dos cientistas da fábrica NZ coreana voltou ao Japão após a rendição, acreditam que tenham cometido suicídio ou que tenham sido ‘deportados’ para a URSS.

 

 

 

 

 

 

 

Em 1946, David Snell publica nos EUA, esta fantástica história a respeito de uma bomba atômica japonesa. Sua história é imediatamente ridicularizada e ele cai em descrédito.

 

Entretanto a Inteligência americana sabia da existência deste parque fabril ao norte da Coréia, documentos ‘desclassificados’ dão conta inclusive da existência de uma unidade denominada NZ, onde era sabido que se produziam armas, munições e que suspeitavam que estivessem realizando algum tipo de pesquisa nuclear. O complexo todo foi bombardeado pela USAAF em 1945, causando extensos danos, mas a argumentação é que os cientistas e equipamentos vitais do projeto da marinha estivessem em locais seguros, justamente por existir a possibilidade de um ‘raid’ aéreo para bombardear as instalações.

 

 

Fato realmente comprovado, pela autenticidade dos documentos (que contam inclusive com um esquema para a obtenção de U-235 a partir do urânio gaseificado) e por alguns dos cientistas japoneses, só mesmo o projeto atômico do exército, aquele baseado em Tóquio e que fora incumbido de criar as bombas sujas que deveriam ser usadas no ataque planejado para a 17 de agosto de 1945 à costa Oeste Americana.

 

 

2 respostas a Japão

  1. StuntThug disse:

    Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now. Keep it up!
    And according to this article, I totally agree with your opinion, but only this time! :)

  2. blakus disse:

    I’m looking forward to getting more information about this topic, don’t worry about negative opinions.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>