Jet Gênesis – O incrível Coanda 1910
Desde a antiguidade o homem sonhava em voar como os pássaros, através dos séculos muitos tentaram realizar esse sonho. No início do Século XX finalmente o homem conseguiu seu intento, era possível voar em um engenho mais pesado que o ar, sem ter que depender de gigantescos balões de ar quente ou de algum tipo de gás.
Mas mesmo sendo tão recente, a história da aviação é bastante controversa. Os irmãos Wright (EUA) afirmaram terem sido os primeiros a voar em um aparelho mais pesado que o ar, no ano de 1903, embora não existam comprovações a esse respeito além do testemunho de um pequeno grupo de pessoas que afirmaram terem observado tal feito. Além disso o engenho dos irmãos Wright não decolava somente por conta de seus meios, ele dependia do auxílio de uma catapulta que o arrastava por um longo trilho. Já no ano de 1906 coube a um brasileiro, Alberto Santos Dumont, realizar o primeiro vôo público. Tal feito ocorreu na França, sob o olhar atento de testemunhas oculares e das lentes de fotógrafos que registraram a façanha.
Mas o gênesis da aviação nem de longe lembra os gigantescos aviões de passageiros de nossos dias, nem os ágeis e velozes caças militares. Eram aparelhos rústicos, contruidos normalmente com tubos de aço recobertos por lona ou tela. Seus motores de pouca potência eram levados aos extremos para alçarem vôo e, quando no ar, as aeronaves não atingiam grandes velocidades, raramente ultrapassando a barreira dos 100 quilômetros horários.
No entanto o que muitos desconhecem é que quando a aviação ainda estava engatinhando, um inventor romeno criou aquilo que futuramente seria chamado de “avião a jato”. Essa é sua história…
Henri Marie Coandã nasceu em Bucareste – Romênia, no dia 07 de junho de 1886. Filho de um matemático, teve boa instrução. Como ocorria com a maioria dos jovens à época, Coanda alistou-se na artilharia, tendo deixado as forças-armadas em 1905. Em 1909 mudou-se para Paris, onde foi trabalhar na recém criada École Nationale Superieure d’Ingenieurs en Construction Aéronautique (Escola Nacional Superior de Engenharia em Construção Aeronáutica) onde trabalhou com grandes engenheiros de sua época, entre eles Gustav Eiffel.
Em 1910 apresentou um modelo experimental, o Coanda-1910. Era um avião revolucionário em muitos aspetos. Como principal fato repousa o fato de estar sendo atualmente reconhecido como o primeiro avião com propulsão a reação, tendo feito seu primeiro vôo em 1910, em outras palavras, 27 anos antes de Heinkel, Campini e Whittle, quem foram consideradas ’os pais do vôo a jato’. Outras inovações para à frente de seu tempo incluíam:
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Asas construídas totalmente em aço, ao invés de madeira;
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Slats móveis na borda à frente da asa, para aumentar a elevação;
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As asas superior e inferior tinham envergaduras diferentes e a asa superior, de maior envergadura, era posicionada à frente da asa inferior. Isto reduziu o arrasto aerodinâmico entre as duas superfícies. Cerca de 10 anos depois, este arranjo foi “re-inventado” sob a denominação Sesquiplan, tendo sido empregado nos aviões Fokker, Brequet e Potez;
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O combustível e o lubrificante foram armazenados internamente na asa superior reduzindo assim o tamanho da fuselagem (que era feita em aço e madeira compensada) e seu arrasto.
O propulsor, um “Air-Reactive Engine” (motor Ar-reativo), era composto por um motor à gasolina Clerget, de quatro cilindros, refrigerados a água, desenvolvendo 50 HP, que operava a 1000 rpm, conectado a uma caixa de transmissão e esta a um compressor, que operava a 4000 rpm. À frente do compressor estava acoplado um dispositivo chamado por Coanda de obturador (muito semelhante à íris de uma câmera fotográfica). Este obturador, acionado pelo piloto, controlava a quantidade de ar que entrava no compressor. O ar do compressor era então injetado nas “Salas de Queima” (câmaras de combustão construídas em forma de anel, que eram dispostas nas laterais da fuselagem). Nestas câmaras eram então misturados os gases do escapamento do motor Clerget e combustível, que eram inflamados, resultando numa grande expansão de gases muito quentes. Os gases eram então expelidos por tubos de aço, instalados nas laterais do avião, produzindo então o empuxo de 220kg, muito maior que se o motor a pistão acionasse uma hélice.
O avião foi exposto na Segunda Exibição Aeronáutica Internacional, em Grand Palais – Paris, em outubro de 1910. Causou grande interesse nas pessoas, porque ninguém jamais havia visto algo como aquilo antes (nem nos próximos 30 anos). Após a exibição ter sido encerrada em 10 de dezembro de 1910, Henri Coanda levou seu avião para Issy-Les-Moulineaux, era ele pretendia testar o motor, os resultados são descritos com as palavras do próprio Henri Coanda:
“Era dia 16 de dezembro de 1910. Eu não tinha intenção de voar neste dia. Minha intenção era checar a operação do propulsor em terra, mas o calor do jato que voltava pra mim era muito maior do que eu esperava, assim fiquei preocupado com a possibilidade do avião se incendiar. Por isso, eu me concentrei em ajustar o propulsor e não percebi que o avião ganhava velocidade rapidamente. Então eu olhei pra frente e vi os muros de Paris se aproximando rapidamente. Não havia nenhum tempo para parar ou para fazer a volta e eu decidi tentar corrigir a rota e continuar. Infelizmente eu não tinha nenhuma experiência de vôo e não usei os controles do avião. O avião pareceu fazer uma curva repentina e descer, colidindo com o solo. Primeiramente a asa esquerda bateu no solo e então o avião deu uma cambalhota. Eu não estava usando cinto de segurança e desta maneira, felizmente fui jogado longe da aeronave, que se incendiou”.
Após este acidente, Henri Coanda não conseguiu financiamentos para reconstruir e desenvolver sua invenção, o projeto foi então encerrado e Coandã passou a se dedicar a outros estudos. Em 1930 descobriria o chamado “Efeito Coanda”, que versa sobre as características dos fluidos.
Gustav Eiffel declarou a respeito de Henri Coanda:
“Este moço deveria ter nascido trinta anos depois”.
De fato, Coanda estava à frente de seu tempo.
Galeria:
- Henri Marie Coanda
- Coanda 1910
- Coanda 1910
- Coanda 1910
Dados Técnicos:
Propulsor: 1 propulsor “Ar-reativo” Coanda, produzindo 220 kg de empuxo ao nível do mar
Envergadura: 10,30 m
Comprimento: 12,50 m
Altura: 2,75 m
Fontes:









































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